Cotidiano 05
Terapias
Logan possui uma exaustiva rotina de consultas semanais à médicos. Fisioterapeuta, fonoaudióloga e, nesta próxima semana, oftalmologista e pediatra. Ufa! Haja disposição.
É claro que a fonoaudiologia semanal e a fisioterapia quinzenal são as peças fundamentais no bom desenvolvimento dele. A criança Down precisa de estímulos constantes, tanto nos consultórios como no seu dia-a-dia, em casa.
Mas, apesar de tratar de coisas sérias, a terapia possui seus momentos engraçados. Prova disso foi nossa visita à fisioterapeuta nesta semana.
Márcia é uma pessoa incrível. Profissional dedicada, muito atenciosa e excelente naquilo que faz. Mas isso não a impediu de cometer um pequeno erro de cáculo...
Ela costuma trabalhar em um tablado, estofado com espuma e revestido de couro; para que a criança possa rolar, pular, engatinhar e sentar sem correr riscos. Um dos exercícios de Logan era tentar, com a ajuda da terapeuta, se apoiar com as mãos em um emborrachado de espuma um pouco mais dura e tentar sustentar parte do peso com as pernas. Ele até que se saiu bem. Mas então, Márcia resolveu apóia-lo nas pernas e nos explicar o que estava fazendo. Nesse curto espaço de tempo, Logan viu algo no tablado (uma pequena gota de baba) que chamou sua atenção. Imediatamente, ele tentou pegá-la e, antes que pudéssemos nos dar conta, ele bateu a testa no tal do emborrachado.
Seguiu-se a isso um festival de “dáh ahbláh dáh lha nah ulhéo” e por aí vai. Ele nos olhava e reclamava como nunca. Parecia dizer: “Ei! Será que ninguém viu que sou só uma criança? Dá pra prestar atenção em mim? Ou estou pedindo muito?”. Como bom pai, só me restou rir da situação toda — já que estava tudo bem com ele, tirando as reclamações. Mas foi muito engraçado ver os apuros pelos quais um profissional pode passar nas mãos de um bebê.
Ah, sim. Passamos a fisioterapia para uma vez por semana após isso.
Escrito por Flavio F. Soarez às 14h45
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