Cotidiano 06
Churrasco
Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa bem clara: Logan não chora. Isso é fato. Não me perguntem o porquê disso, mas ele simplesmente não chora. Desde de bebezinho, ele sempre foi assim. No máximo ele dá uma reclamada (“ulhéoooo!”). Nada além disso. Ficou claro? Legal. Podemos continuar agora.
Após um hiato de quatro semanas, fomos à casa de meu pai para uma visita ("Ô! Esqueceu o caminho da casa do pai?"). Ê, saudade...
Um fato engraçado: todos na família — os homens, pelo menos — são meio que loucos por churrasco. E o melhor churrasco é sempre aquele feito sem planejamento prévio, com a carne comprada na hora e a cerveja ainda quente no freezer. Nada de carne maturada! O negócio é comprar a carne no açougue da esquina e torcer para que ela não fique dura como uma sola de sapato! Claro que neste domingão não foi diferente.
Chegamos na casa do “Vô Dódi” por volta de 11 horas. Deixei ele e Teresa (minha madrasta) brincarem com o baixinho por uns 10 minutos antes de perguntar: “E aí? Vamos queimar uma carne ou não?”. Pergunta besta. No minuto seguinte eu já estava no açougue comprando os itens necessários.
Foi um churrasco completo: cerveja quente, carvão indócil (daqueles que se recusam a acender), picanha parecendo contra-filé... Enfim, tudo de acordo com o script. Mas tudo bem. Churrasco não é a comida; é a ocasião, a companhia, o ambiente... e isso, ah, isso estava muito propício.
Começa a sair a carne e lembramos que Logan já está autorizado a ficar “chupando” um pedaço de bife. Então vamos lá! O primeiro churrasco do meu alemãozinho! Corto uma fatia um pouco maior de costela e passo para o baixinho que está sob os cuidados da mãe e das tias (Flavia, minha irmã e Raquel, minha cunhada). Que farra! Ele se lambuza todo com a carne e não tira ela da boca por nada.

Logan e seu primeiro churrasco.
E isso durou uma meia hora. Depois, ele começou a passar a carne no pé (acho que pra temperar mais um pouco). Por unanimidade, decidiram trocar o pedaço por um novo. Estava cortando picanha agora, quando ouvi o choro de Logan. Nunca, em todos esses meses eu havia ouvido o loirinho chorar. Pois ele chorou. Chorou de raiva por terem tirado a carne dele. Chorou até ficar vermelho. E olhava indignado em seu choro para seus algozes; aquelas pessoas más que o deixaram sem carne.
“Passa logo a carne pra cá”, alguém disse. De pronto eu atendi.
Carne na mão, sorriso na boca engordurada. Ele voltou ao seu estado “normal”. E foi assim até cair de sono no carrinho: trocas negociadas.
Definitivamente, apesar do cabelo loiro (eu e a mãe dele somos morenos) ele não nega o pai. E olha que o churrasco nem estava lá essas coisas; a cerveja estava quente, o carvão indócil, a carne não era maturada... e faltou a farinha! (Sabia que tinha esquecido de comprar alguma coisa...)

Este é Logan após o churrasco ruim do pai.
Escrito por Flavio F. Soarez às 17h27
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