Pronto. Já sabemos quem é o inimigo.
A única coisa em comum, além da síndrome propriamente dita, com todas as crianças Down é a hipotonia. Todas, sem exceção sofrem deste mal. É ela que, entre outras coisas, retarda o desenvolvimento motor da criança. É por isso que os portadores da síndrome demoram mais para sentar, engatinhar, se erguer, etc.
Para combatê-la? Fisioterapia, fonoaudiologia (sim, Joãozinho, temos músculos no rosto), e muita, muita estimulação.
Toda estimulação muscular é válida, e foi por isso que fiz a observação, em um texto mais antigo, que Logan dormia de lado. O Down gosta de dormir de barriga pra cima, com braços e pernas abertos. Confortável? Sim, claro; mas péssimo para o desenvolvimento. Desde os primeiros meses de vida, colocamos ele para dormir nessa posição. Já há algum tempo ela se tornou confortável ao ponto dele mesmo virar de lado quando posto no berço. Uma vitória, sem dúvida nenhuma.
Próximo round.
Há algumas semanas, temos trabalhado, nós e a fisioterapeuta, no sentido de fazer Logan sentar-se sozinho e ter o impulso de erguer-se, com ajuda de algum apoio. Isso para estimulá-lo a ficar em pé.
É claro que ás vezes dá uma certa tristeza ver outros bebês engatinhando e sentando sozinhos, enquanto que Logan apenas rola de um lado para outro. Só às vezes. Porque ele sempre nos surpreende positivamente. E sempre quando o final do mês se aproxima.
Neste final de semana – no domingo, para ser mais exato – estávamos eu e minha cunhada, Raquel, tentando fazê-lo dormir, enquanto que a mãe, Valéria, descansava um pouco.
Levei-o para o berço, na esperança de que, no quarto menos iluminado, o sono chegasse. Sentei-o e fiquei fazendo carinho em sua cabeça. A tia sentou no chão e ficou balançando levemente o berço. Foi quando Shiro, a gata branca, gorda e louca entrou no quarto dele soltando seu miado característico (um lamento quase inaudível que traria vergonha a qualquer gato digno de ser chamado de gato). É claro que ela queria carinho. Raquel atendeu ao seu lamento e, à medida que passava a mão na gatinha, mais os miados aumentavam.
Enquanto isso, no berço, Logan se inclinava em direção à beirada e, com as mãos apoiadas, tentava erguer o corpo, no mesmo movimento que é feito na fisioterapia, para ver o que acontecia lá embaixo. Ele fez três tentativas e depois achou melhor deixar pra lá e, se não lhe tivesse faltado força, tenho certeza de que teria se erguido para ver a gata maluca que, finalmente, serviu para alguma coisa além de comer e dormir.
Mas, o melhor ficou guardado para esta noite.
Estávamos eu e ele deitados no chão da sala. Ele rolando de um lado para outro e eu vendo o telejornal regional. Num determinado momento, me distraí dele e comecei a prestar atenção a uma das notícias. Para chamar minha atenção, Logan começou a bater palminhas. Então, peguei um de seus brinquedos e coloquei entre suas pernas, para que ele se curvasse e o pegasse. Acredito que isso seja bom para ele exercitar as costas e aprender a se manter equilibardo quando está sentado e...
“ESPERE AÍ!”, você grita na frente do computador para depois perguntar: “Quem foi que sentou esse bebê? Que droga de escritor que você é...”. Bom, se serve de consolo foi a mesma coisa que eu perguntei, enquanto ria, olhava para ele batendo palmas e me lembrava que não havia mais ninguém na casa naquela hora.
É isso. Logan já tenta se erguer o tempo todo e, embora tenha uma certa preguiça, já consegue sentar sozinho.
Que venha o próximo round, porque este já está no fim.
