Cotidiano 17
Me dá esse biscoito aqui!
Aproveitando o feriado da última sexta-feira, levei Logan para passear na casa de meu pai; afinal de contas, já faziam umas três semanas que o velho não via o neto e minha integridade física já estava sofrendo pequenas ameaças diante das coisas que realmente importam (“Eu não perguntei como é que você está, filho... Quero saber do meu neto e quando você vai criar vergonha na cara e trazer ele até aqui?”)
Foi um dia calmo. O baixinho fez a festa. Engatinhou pela casa toda, gritou, riu, perseguiu a gatinha da minha irmã (esse garoto tem fixação por gatos?), enfim, fez tudo aquilo que um bebê faz quando está desfrutando da “proteção inapelável” dos avós. Mas o melhor ainda estava por vir.
De manhã, não sei por quê, eu resolvi comprar um pacote daqueles biscoitos de polvilho. Sabe aqueles que têm formato de bolinha e, na primeira mordida se desfazem na boca? Então, foi um desses que eu comprei. Não me olhe com essa cara. Todo mundo curte biscoito de polvilho.
Voltando ao assunto: Servi a janta cedo para o Logan (por volta de 17h30) – uma sopa de batatas que, modéstia à parte, ficou sensacional. Aproveitei e jantei também. É claro que, por volta de 19h00 começou a bater aquela vontade de “mastigar alguma coisa”. Lembrei dos biscoitos de polvilho.
Abri o pacote e todos que estavam na sala – inclusive o Logan – começaram a comer. É claro que o baixinho se amarrou no salgadinho (não falei que todo mundo gosta de biscoito de polvilho?). E, era uma cena muito engraçada vê-lo comer. Ele dava uma dentada no biscoito, comia um pedaço e, depois, enfiava o resto na boca. Parecia um hamster guardando sementes de girassol para mais tarde.
O pacote estava no chão, perto de meu pai e, mais que depressa Logan percebeu que era dali que vinham os quitutes. É claro que não deu outra: na primeira oportunidade, ele engatinhou freneticamente em direção ao pacote e, enfiando a mãozinha de qualquer jeito, tentava pegar mais um biscoito. Como não conseguia achar a abertura do pacote, achou melhor chacoalhar o bichão e ver o que acontecia. O resultado? Biscoito espalhado por todo o tapete. Sem perder tempo e, antes que pudéssemos recolher tudo, ele pegou duas bolinhas de polvilho – uma em cada mão. E, começou a comer uma normalmente.
Mas, confesso que fiquei preocupado com a segunda. Tinha medo que ele tentasse enfiar a outra na boca e se engasgasse.
Meu pai estava do lado dele e, sendo assim eu disse: “pai, tira o outro biscoito da mão dele.”. Ele entendeu e esticou a mão na direção do biscoito que Logan segurava.
É claro que o baixinho percebeu o movimento do avô e, ato contínuo, enquanto mastigava um biscoito, afastava o máximo que podia a outra mão das garras de meu pai, ao mesmo tempo em que o encarava com uma expressão de “chegue mais perto deste biscoito e eu arranco seus olhos”.
Após terminar de comer o biscoito que estava na boca – e sem tirar os olhos do avô – Logan comeu aquele que estava na outra mão.
Fiquei emocionado ao ver a magia da genética. É espantoso chegar a conclusão de que ele tem o mesmo gênio do pai... Quer dizer, quem mais – além de mim, é claro –, em toda minha família, é capaz de olhar de maneira tão dura para alguém por causa de um biscoito? Esse é o meu garoto!
Escrito por Flavio F. Soarez às 21h00
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