Cotidiano 18
Nem tudo são flores...
É engraçado como só nos damos conta das coisas boas que temos e que nos acontecem todos os dias quando deixamos de tê-las.
A frase acima ficou meio sem-sentido? Então, é melhor darmos um sentido para ela.
Se você ler atentamente este blog, vai perceber que não há textos noticiando problemas de saúde de Logan. Contrariando as expectativas e as complicações provenientes da Síndrome de Down, Logan tem uma saúde de ferro. Ou pelo menos, tinha...
Nas duas últimas semanas, eu e Valéria (e ele também, é claro), estávamos quase sendo chamados pelo primeiro nome no pronto socorro da Foccus, na Vila Mariana, dada a freqüência com que fomos lá neste período. Não foi nada que assustasse muito, mas quando você passa um ano e meio ao lado de um bebê que não chora nem para tomar vacina, um choro constante que vira a noite, avança o dia e fica sem previsão de término, torna-se a coisa mais apavorante do mundo! Depois que descobre-se o que ele tem, tudo parece muito simples. Mas a estrada a ser percorrida para chegarmos neste ponto é longa e tortuosa,
Vamos pela ordem correta dos acontecimentos:
1) O intestino do baixinho resolveu tirar uns três dias de férias. Resultado? Cólicas, dificuldade de evacuar e choro constante. Primeiro foi dado um Luftal para ele (para aliviar as cólicas) e depois ele teve que ficar com um saquinho coletor no bingulim para que uma amostra de urina fosse retida para análise. Com o remédio, os gases saíram da barriguinha dele, então criou-se uma sensação de que estava tudo bem. No dia seguinte ele tinha consulta com a pediatra que encontrou uma pequena irritação no pipizinho do alemão (provavelmente causada por uma desatenção da escola na hora do banho dele). A Dra. Flavia receitou uma pomada e pediu que a região fosse lavada em casa, independente do banho na escola. OK. Problema resolvido. Doce ilusão.
2) Na madrugada seguinte, mais um show de lágrimas. Encontrei-os no pronto-socorro. Logan estava tendo que fazer uma lavagem intestinal. O lado bom é que, imediatamente após a lavagem fazer efeito, ele voltou ao seu comportamento habitual. Distribuiu um monte de sorrisos e desmaiou de sono e cansaço. Atenção redobrada com a alimentação daqui pra frente. Mas não pára por aí...
3) Dois dias depois, Logan pegou a maldita virose que está infestando São Paulo. Resultado? Muito vômito e muito choro. Liguei para a pediatra que receitou uma dose de Dramin e re-hidratação constante para evitar problemas maiores. Deu tudo certo. Uma hora depois de tomar a medicação, ele já estava ingerindo líquidos sem vomitar. Um tempinho depois, dei-lhe alimentação sólida e tudo ficou bem. “Tudo ficou bem”... Por que insistimos em dizer que “tudo ficou bem”?
4) Dois dias depois, nova ida ao pronto socorro. Muito choro, muita irritação e nenhuma solução. Ele estava apenas há um dia sem evacuar, sendo assim, problemas no intestino foram descartados de imediato. “Vamos colher urina pra fazer um exame, tirar uma radiografia do pulmão pra ver como está este catarro no peito dele e depois colher uma amostra de sangue para descobrimos o que ele tem.”, disse a pediatra do PS com um sorriso. Na minha cabeça foi um claro: “Não faço a menor idéia do que ele tem, então, vamos fazer exames até que algo surja dos céus...”. Animador. Animador mesmo. Num determinado momento Valéria começou a dizer; “é o intestino”. “Só pode ser. É o mesmo comportamento da outra vez”. Confesso que não levei à sério. Só fazia um dia que ele não evacuava. Mas, depois de alguma relutância e vendo que ele não parava de chorar, dei o braço a torcer e ela foi dar uma dura na médica, pedindo que fizessem uma lavagem intestinal nele. Uma hora depois, fizeram. E funcionou. Ela estava certa. Ele se acalmou na hora.
Hoje está tudo sob controle. A alimentação dele tem tido um cuidado redobrado para que coisas que “prendem” o intestino sejam evitadas, enquanto que, alimentos que “soltam” ganham um destaque maior..
E, a lição que tiramos (eu tiro) disso tudo? Bem, é que apesar de toda a tecnologia, às vezes, o instinto de mãe pode estar mais certo do que as suposições clínicas.
Escrito por Flavio F. Soarez às 22h47
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