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| 10/09/2006 |
Foto 10
O Pequeno Mozart
A foto abaixo foi feita no sábado passado na casa de minha tia, Walkíria. Nela estão, além dela, Logan e minha irmã, Flávia.
Achei esta imagem divertida e digna de figurar no blog mais por causa da expressão do baixinho. Olhe bem e veja se não parece que ele está realmente tocando o piano. Claro que ele ficou batucando nas teclas, primeiro de um jeito tímido, mas só até que eu aparecesse e tocasse com mais força, mostrando pra ele como se faz. A partir daí, ele pegou gosto pelo barulho.
Quem sabe ele não cresce voltado para a música, não é?

Escrito por Flavio F. Soarez às 19h45
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Cotidiano 23
Cartão de Visitas

Há duas semanas, Logan passou por sua consulta de rotina com a pediatra, doutora Flávia Navarro. Estava tudo em ordem com o baixinho. Peso, OK. Crescimento, OK. Humor, OK (sim ele continua rindo de um jeito muito engraçado com os brinquedos do consultório).
Antes de irmos embora, ela comentou conosco (eu e Valéria vamos juntos às consultas) que havia na recepção um casal que passaria com o bebê pela primeira consulta. O bebê também tinha Síndrome de Down. Ela perguntou-nos se poderia levar seu “cartão de visitas” (Logan) para eles verem. Concordamos, claro. Mas, como era de se esperar, ele ficou meio tímido. Então, fomos nós até a recepção com ele.
Conhecemos o casal e foi impressionante. Éramos nós ali. Um reflexo de como éramos há quase dois anos. Uma espécie de “o que nós vamos fazer daqui pra frente?” nos olhos. Um certo medo do desconhecido. Um medo de não se ter certeza de mais nada.
Sabíamos exatamente o que eles estavam sentido ali, naquele momento, com o bebê recém-nascido no colo. Já havíamos estado lá. Deu vontade de falar isso. De dizer que sabíamos exatamente o que eles sentiam e que a realidade não era tão dura quanto parece no primeiro momento. Mas não.
Ao invés disso, achamos melhor deixar o Logan solto na ampla recepção da clínica. E ele saiu feito um alucinado, engatinhando, rindo, dando um grito característico dele quando está contente. Foi engraçado ver as recepcionistas, já acostumadas a vê-lo por lá todos os meses, inclinarem-se sobre as cadeiras para ver a bagunça que ele fazia.
E foi bom, também, ver a cara daqueles pais depois disso. Foi bom mostrar-lhes que seu filho vai ser como os outros, por mais que pessoas desinformadas tentem dizer que não. Vai exigir um pouco mais de dedicação, sim; mas vai ser como os outros: vai engatinhar, vai rir, vai gritar, vai sentar, vai fugir de brincadeirinha quando você se aproximar... e depois vai te abraçar quando vc pegar ele no colo.
Não sei se ver o Logan serviu de estímulo ou não a eles. Mas vê-los, serviu de estímulo e lembrete a mim.
Um lembrete de tudo o que passamos, da dor, do medo, da incerteza e de como tudo hoje nos é natural. De como tudo foi superado, e de como hoje há, para ele, um horizonte muito mais alegre do que o que podíamos imaginar em novembro de 2004.
E um estímulo de que talvez seja hora de criarmos uma maneira de ajudar pais que acabam de entrar neste novo e desafiador mundo. Meio que sabemos o que eles estão passando e um pouco do que está por vir. Talvez seja hora de pensar em algo mais eficiente para passar essa experiência adiante. Fomos ajudados quando precisamos. Agora acho que é a hora de começar a devolver um pouco do que recebemos. Resta descobrir o “como fazer”. Descobrir como ajudar na luta contra a exclusão (sim, ainda há exclusão quando nos referimos à SD), mas também encontrar uma maneira de ajudar os pais que terão de aprender “na prática” e “na marra” a caminhar por este universo até então desconhecido. Tentar encontrar um jeito de mostrar que ter um filho com SD não é o fim do mundo. Muito pelo contrário.
Soa meio egocêntrico, eu sei. Mas, de qualquer forma, sinto-me com uma obrigação moral de pelo menos tentar ajudar de alguma maneira; buscar uma forma de ser útil aos outros. E acredito que qualquer ajuda, por menor que seja, será válida.
Escrito por Flavio F. Soarez às 13h23
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Foto 09
Papinha
A foto abaixo foi feita durante o almoço no dia da atividade na escola de Logan.
Toda criança tem uma foto melecada de comida e ele ainda não tinha a sua. Não resisti e fiz esta. Mais uma pra ele brigar comigo quando for maior. :-))

Tá uma gracinha ou não tá?
Escrito por Flavio F. Soarez às 12h45
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Cotidiano 22

Logan engatinhando no refeitório da escola onde estuda.
Café da Manhã na Escola e Novas Certezas
Uma semana após a estréia de Logan na piscina infantil, a escola onde ele estuda fez uma atividade entre pais e filhos e um café da manhã em comemoração ao Dia dos Pais.
A atividade em si constituía em fazer um tipo de massa de modelar comestível para estimular as crianças com a textura e o gosto e também para servir de “novo campo exploratório”.
Chegamos lá dentro do horário combinado e fomos muito bem recebidos. Aliás, fiquei surpreso com a popularidade do alemãozinho entre as monitoras e (daí a surpresa), com a mães – que, acredito eu, são quem geralmente busca as crianças na escola. Parecia-me que todas sabiam quem era ele e, as que não sabiam (e alguns pais também) falavam algo como “então este é o famoso Logan!”. Teve uma das mães que veio me contar o quanto sua filha falava do baixinho ao chegar em casa. Não há como negar que me senti o mais orgulhoso dos pais. É uma sensação muito boa ver a aceitação em torno de seu filho e, mais que isso, ver que ele possui um carisma natural que o torna popular apenas por ser quem ele é: um bebê de riso fácil, sem muitas manhas e que adora abraçar outras crianças.
Voltando à atividade: Logan não curtiu muito. Ele queria era ir pro chão, engatinhar pela escola e brincar com as outras crianças, apesar de ainda não caminhar (novamente a questão do caminhar). Como ele não estava concentrado ou interessado, levei-o à mesa de café e dei-lhe uns dois mini-pães de queijo (dá-lhe pão) com suco de frutas e depois, soltei-o pela escola.
Tirei algumas fotos dele engatinhando pelos corredores e depois fomos brincar (na verdade ele me levou) no playground da escola.
Ajudei-o com o escorregador durante um tempo e depois fiquei apenas em volta, vendo-o brincar dentro de uma “cabana” que havia lá. Não sei se isto é certo ou errado, mas acho mais interessante deixá-lo brincar por conta própria o maior tempo possível quando há outras crianças por perto. Fico de olho para evitar acidentes, mas tenho a sensação de que esta “interação independente” ajuda-o mais em seu desenvolvimento.
Senti-me muito feliz vendo o comportamento dele. Parecia o velho morador de um bairro. Ia a todos os cantos sem medo, do mesmo modo que apenas as pessoas que conhecem muito bem uma região fazem. Não havia mistérios para ele ali. Havia, sim, dificuldades. Por ainda não andar, certos obstáculos precisavam da minha ajuda para serem ultrapassados (como o escorregador, por exemplo), mas isso não o impedia de mostrar sua vontade, de me fazer ver o que ele queria para brincar. Da mesma forma que as outras crianças. Sem diferenças. Sem cuidados especiais.
É engraçado. Quando se tem um filho com Síndrome de Down, você sempre acha que num determinado momento o trato com ele terá que ser diferente do das outras crianças. Pelo menos isso é o que os adultos acham. Vendo-o brincando ali, tão à vontade, percebi que preciso “achar” menos. Ali, uma semana depois do Dia dos Pais, eu vi que definitivamente a época das encanações acabou. Não há motivo para isso.
Logan é esperto, ativo, interessado, carismático, popular, inteligente, bem-humorado... Como dizem por aí ele é “tudo de bom”. Depois desse dia, não vejo mais no futuro dele dificuldades de adaptação em escolas ou outras atividades. Pelo menos, não vejo nenhuma dificuldade maior que qualquer outra criança possa ter.
Dentro do possível, ele segue uma vida igual à das outras crianças, buscando sempre acompanhá-las dentro de seus limites. Sempre se esforçando ao máximo (não tem como explicar, mas dá pra ver que ele se esforça). Dando seu melhor.
E, ao final daquela manhã, um casal de pais veio me dar os parabéns por ele. Eu sou apenas um acompanhante, pessoal. Da próxima vez, dêem os parabéns ao Logan. O mérito é todo dele.

Risonho, como sempre.
Escrito por Flavio F. Soarez às 12h40
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Cotidiano 21
Água na temperatura certa – parte 2
Bem-vindos à piscina infantil
É chegado o grande dia. Logo cedo busquei Logan na casa da mãe e Levei-o para tomar café da manhã. Assim como eu, o alemão tá ficando viciado em pão. Comprei uma salada de frutas para dar a ele por causa da importância das fibras e tudo o mais que ajuda no bom funcionamento do intestino, mas não teve muito jogo não. Fui obrigado a negociar com ele algumas colheradas de frutas em troca de nacos de pão de batata. Pelo menos o suco de abacaxi ele tomou direitinho.
Como ainda tínhamos tempo (e a academia fica a uma quadra de distância), fomos até minha casa e assistimos um pouco de TV Rá-Tim-Bum. Faltando 20 minutos pra aula, arrumei-o, peguei tudo o que precisava e fomos para academia, onde ele ainda passaria pela avaliação médica antes de poder entrar na piscina.
Tudo OK com a médica, descemos ao vestiário onde nos trocamos enquanto dava a hora da aula.
Fui com ele até a área da piscina infantil e os outros pais já estavam lá (para minha surpresa, como disse no texto anterior). Entreguei Logan à professora e entrei na piscina em seguida. E aí começaram meus problemas.
Eu não sei nadar. Quando garoto, me sentia à vontade em piscinas (talvez por não ter noção do perigo). Hoje em dia, fico pouco confortável em uma. Claro que, por se tratar de uma piscina infantil, profundidade não é problema mas, por eu não estar habituado ao ambiente, não conseguia firmar os pés no fundo e manter um certo equilíbrio dentro da água.
E lá vamos nós: primeiro uma musiquinha e um balanço de lá pra cá só pra aquecer. Os outros pais cantavam enquanto eu fazia dublagem – por que não me deram a letra das canções para decorar durante a semana? E na hora de bailar o pequeno pra lá e pra cá, ia o velho Flavio brigando com o piso liso da piscina e sua total falta de equilíbrio. Mas valia pela festa que o Logan fazia. Tá certo que na hora de fazer bolhinhas na água com a boca, aspirei uma boa quantidade pelo nariz, mas e daí? O baixinho tava curtindo.
A princípio ele ficou meio que tímido. Prestando muita atenção (como sempre faz em uma situação nova), com um jeito meio sério. Após se familializar um pouco com a piscina e as outras pessoas, ele se soltou mais. Começou a bater as mãozinhas na água, a sorrir e a querer brincar mais.
Eu continuei tentando adaptar minhas dificuldades aos exercícios. Ao final da aula, já estava mais safo e, na semana seguinte foi mais tranqüilo para mim.
Já Logan se amarrou num momento em que cantamos uma canção com os bebês em pé na borda fora da piscina (os pais ficam dentro da água). Quando chega o ponto alto, erguemo-os bem alto e os trazemos para dentro da água num movimento rápido. Ele achou esta parte o máximo. Mas, como ele ainda não fica em pé, houve uma certa dificuldade. Por estas e outras é que a fisioterapia dele será retomada na próxima semana. Já é hora do baixinho começar a “enxergar o mundo” por um novo ângulo. Acredito que a movimentação que ele faz na piscina, auxiliada à fisioterapia, devem trazer bons resultados. E acho que ele andando, seria o melhor presente que eu e sua mãe poderíamos querer neste Natal que começa a bater em nossas portas. Vamos cruzar os dedos e ver o que acontece.
Escrito por Flavio F. Soarez às 11h48
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Cotidiano 20
Depois de uma bela virose, problemas com o computador e algumas crises de enxaqueca, consegui voltar ao blog e, conforme o prometido, vou contar como foi o primeiro dia de Logan na natação.
Água na temperatura certa – parte 1
Os preparativos
Bem, primeiramente, “natação” não é o termo correto. É mais como uma brincadeira na água. Os pais ficam lá na piscina, junto com os filhos, cantando músicas infantis e fazendo movimentos meio que coreografados para estimular os pequenos. E aqui abro um parêntese para uma curiosidade: diferente do que eu imaginava, é maior o número de pais em relação ao de mães que acompanham os filhos nesta pequena atividade aquática (na verdade achei que ia pagar o maior mico em ser o único barbado na piscina).
Mas, como sempre, me antecipo aos fatos. A aventura submarina de Logan em um ambiente controlado começa na véspera. Só para manter a escrita, o paizão aqui deixou tudo para a última hora (não, não aprendi absolutamente nada com o episódio do supermercado). Com um agravante: era o final de semana do Dia dos Pais.
“Nada de pânico”. “Vai dar tudo certo”, e outras frases “motivadoras” ficavam ecoando na minha cabeça enquanto eu tentava organizar meu dia para comprar tudo o que precisava. Antes de tudo, tinha que ir até uma loja de artigos infantis para tentar achar a tal “fralda para praia e piscina”. Em minha lógica obtusa, apenas em lojas especializadas eu encontraria o “equipamento”. Mais tarde, no mesmo dia, ao comprar leite do Pão de Açúcar (não, eu ainda não tenho o Cartão Mais...), descobri que a tal fralda especial é vendida em supermercados.
De qualquer forma, após o almoço, corri feito um maluco pelas ruas do bairro do Sumaré (acho que fui multado) para encontrar uma loja da Alô Bebê e comprar a tal fralda-sunga. Felizmente, eu possuo o cartão da Alô Bebê e, na hora de pagar (diferente do que faço no supermercado), saquei-o da carteira com a mesma pompa que um cliente Amex saca seu cartão ouro-platinum-plus-advanced. Não serviu pra nada. Ganhei alguns pontos de fidelidade que, em algum momento entre hoje e o aniversário de 18 anos do Logan, me serão úteis. Cheio de esperança e ânimo, com um pacote de “fraldas impermeáveis” (que contraditório) embaixo do braço e me perguntando quando a Lei de Gérson me seria favorável e eu levaria vantagem em algo (ou pelo menos um desconto de 5%), voltei ao trabalho.
E o dia passou sem maiores sustos. Mas, eu ainda tinha que ir atrás de uma sunga. Na verdade, não tinha, não; mas achei que ficaria ridículo entrando na piscina com uma bermuda ou um calção. Sendo assim: que venha a aventura de enfrentar as lojas do shopping em plena ante-véspera de Dia do Pais!
No final das contas, foi menos traumático do que eu poderia imaginar. Retardei minha saída da empresa para evitar o trânsito e cheguei ao shopping perto de casa por volta de 21h00. É claro que as lojas estavam entupidas de pessoas desesperadas por presentes que pudessem agradar seus pais. O mais engraçado era que a maioria parecia ter se lembrado de que possuía pai nos últimos 20 minutos. Frases como: “Aimeudeus! O que eu compro pro papai?” e “Mas eu não sei do que ele gosta, apesar de estarmos casados há 20 anos”, foram as campeãs da noite. Acho que no próximo ano vou só passear pelas lojas pra ficar ouvindo essas pérolas.
Como eu sabia o que queria, fui direto à loja e, uma vez lá dentro, fui rápido e certeiro como uma flecha até os artigos esportivos. E, lá chegando, tive uma constatação patética: que diabos de número eu uso? Sério. Eu não costumo dar muita atenção à roupas e, freqüentemente, não sei qual o meu “tamanho” em números ou escalas do tipo “M” ou “G” (sei que “P” está fora de questão desde meus longínquos 60 quilos). E lá estavam elas. Idênticas, até mesmo na cor. Duas sungas. Uma M e uma G. E agora, José?
“Só estas duas peças, senhor?”, perguntou a moça do caixa enquanto somava o preço das duas sungas: uma M e uma G.
“Não. Só isso.”, respondi com um certo embaraço, mas com a certeza de que uma delas me serviria na manhã seguinte.
Fim da parte 1
Escrito por Flavio F. Soarez às 11h06
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